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Meu UTMB 2018


Eu poderia dizer que completei mais um UTMB, mas a verdade é que essa viagem foi muito mais do que a minha corrida. Foi a realização de um sonho, que era estar em Chamonix com minha família. Era mostrar pra minha filha o espírito mágico das montanhas, a energia que envolve esse esporte incrível chamado trail run.

E eu consegui! Quando vi Maria em Argentière gritando “Allez Allez” enquanto os atletas passavam do MCC. Cadê papai? E ela não tirava os olhos da montanha, esperando ansiosamente papai aparecer. Maria curtiu cada instante!! Correu com André e vibrou ao cruzar a linha de chegada em Chamonix de mãos dadas com seu “papai herói “

E chegou o grande dia! Não... não é o UTMB!! É o mini YCC! E lá estava a dinda Carol e o tio Dave para ver Maria correr sua prova de 400m! A corrida reservada para crianças de 3 anos foi uma festa, e quando deu a partida lá foi Maria disparada!! O terreno era de grama com um suave aclive, em um percurso semi circular. Com 300m ela parou

- Tô cansada mamãe

E com cara de choro disse... vou parar! Eu segurei a mão dela e mostrei a linha de chegada. Falta pouco! Vamos juntas!! Ela sorriu e acelerou!!! Passou pelo pórtico e festejamos com a família toda e muito sorvete!

A noite eu perguntei o que ela mais gostou do dia dela. A resposta foi : passar a linha de chegada.

Eu sorri feliz !!

Só faltava eu correr!!

E admito que tinha esquecido como era difícil esse tal de Ultra Trail Mont Blanc! Talvez a prova fosse até mais fácil mesmo em 2014, já que houveram algumas mudanças no percurso que atualmente chega a mais de 170km, ao invés dos 160km que havia corrido.

Enfim... poderia escrever horas e horas sobre minha saga nesse UTMB frio e chuvoso , mas de forma resumida posso dizer que fiz o meu melhor! Corri feliz e me sentindo plena. Nesse ano curti cada segundo nesse ambiente incrível! Infelizmente torci o pé na Descida já a caminho de Trient, quando pisei em uma pequena raiz e a partir desse ponto reduzi muito a velocidade para descer.

Perdi firmeza na perna esquerda. Continuei alegre, mas ciente de que o sonho das 30 horas estava morto.

Segui com o plano B... que era chegar! E assim foi... com 35 horas eu estava de volta à Chamonix, com uma sensação de felicidade plena, com a certeza de que definitivamente correr ultras é algo que me encanta com todos seus desafios, dificuldades e surpresas.

Essa corrida me lembrou que é preciso nunca desistir, é preciso ter paciência com as subidas intermináveis, resistência ao frio incomum, cuidado com a alimentação e o mais importante... saber aproveitar cada instante e agradecer pela saúde e oportunidade de estar ali vivendo tudo isso.


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