© 2017 VAI CORRENDO. Orgulhosamente desbravando as trilhas

O Xterra Costa Verde 2017

August 14, 2017

Rio de janeiro – Segunda feira

 

De volta ao Rio, de volta ao trabalho e sentada em frente ao computador é impossível não sorrir ao pensar na minha vida, e em todas as coisas que conquistei com a corrida.

 

Já são sete anos de muita dedicação. Quando comecei eu era uma jovem recém-casada louca por desafios, e hoje sou uma mãe que chora cada vez que pensa na filha na linha de chegada... muita coisa mudou, mas uma continua iqual... e é essa minha paixão pelo trail running, algo que descobri tarde na minha vida, depois de anos no Ironman e no iatismo.

 

E é essa paixão que faz a diferença, é a vontade de ser a melhor. É saber que vai doer, mas que é preciso resistir e seguir fazendo força.

 

Não... Não é fácil vencer!! Tem que se superar. Sempre. Tem que ver as adversárias com respeito, tem que saber absorver a energia do público e transformar em força. Eu agradeço cada sorriso, cada palma, cada mensagem que recebi, e de coração digo que sem vocês nada disso seria possível.

 

Segue um pouco do que foi essa minha aventura no Xterra Costa Verde

 

O dia começou bem cedo. Saímos de casa, no Rio de Janeiro, ainda escuro a caminho de Mangaratiba. Uma viagem tranquila e alegre, já que Maria se recusava a dormir, e mostrava com orgulho e satisfação seu enorme dom para cantar!! Chegamos 40 minutos antes da largada, e já com o numeral fixado e as garrafinhas cheias de água seguimos para a largada. Eu adoro quando meu marido corre comigo, e juntos largamos ao som de Highway to Hell do AC/DC. Claro... eu com lágrimas nos olhos lembrando de tantos outros momentos como aquele!!

 

O Xterra Costa Verde é uma prova complexa, já que logo nos primeiros 5km nós encaramos uma subida bem técnica em um piso de grama super irregular. Nesse ponto, ao meu lado, corria outra mulher, e minha ideia inicial “de não fazer força” foi rapidamente descartada. Eu sabia que precisava aproveitar esses 28km iniciais complexos da prova para abrir vantagem, já que o restante seria bem plano e rápido.

Quando cheguei no topo da Serra do Piloto tive a oportunidade de analisar minha diferença em relação a segunda colocada... uns 4 minutos. Bom...!! Animada acelerei ainda mais na descida de asfalto, e aproveitei cada segundo do delicioso trecho de pedras.

 

Quando cheguei no 30km eu comecei a sentir os efeitos de tanto esforço... mas segui a rotina de alimentação e hidratação, e encantada pelo single track e pela floresta o tempo foi passando. Músicas incríveis tocavam no meu ipod, e a companhia de outros atletas ajudavam a distrair o desconforto e logo, logo eu já estava no 45km. Na reta final!! Ao meu lado seguia a moto fazendo barulho!!! Eu não acreditava... ia vencer mais uma etapa de um Xterra!!!

 

Emocionada subi a ponte vermelha... desci a ponte vermelha e desejando que aquilo ali durasse pra sempre avistei minha filha logo que entrei na área do evento. Ela estava sorrindo animada, curtindo toda aquela festa. Demos as mãos e juntas corremos até a chegada. Nem nos meus melhores sonhos eu podia imaginar uma sensação tão gostosa!!

 

Quem me acompanha de perto sabe das inúmeras vezes em que cruzo a linha de chegada e vou direto para o soro na tenda médica. Dessa vez nem deu tempo de chegar lá... foi só levantar a faixa, abraçar a Maria e logo eu já estava vomitando. Um médico se aproximou, mas eu disse:

 

- Estou bem. Obrigado! Acho que foi o esforço...

Ele me olhou e sorriu. Parabéns. Essa foi a chegada mais linda que eu já vi.

 

 

 

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