© 2017 VAI CORRENDO. Orgulhosamente desbravando as trilhas

Meu relato da West Highland Way Race 2019

June 24, 2019

 


Ao longo da West Highland Way Race eu me perguntei : Porquê corro ultra maratonas? 

 

Isso aconteceu principalmente nos últimos 20km, quando comecei a sentir os efeitos do esforço extremo, o cansaço e as dores nas pernas. Mas o que mais me incomodava era o medo de não conseguir chegar ao final, medo de apagar e não concluir os 150km da West Highland Way.

Agora, desfazendo a mochila foi fácil identificar um dos meus erros: a alimentação. Sobrou muita comida e com certeza fugi do meu planejamento original de comer a cada 45 minutos.

Hoje, dois dias depois da prova, aqui em Fort William chove... Chove muito, mas a verdade é que esse é o clima normal dessa região. A verdade mesmo é que tive muita sorte em ter corrido os 150km com um lindo dia de sol. Tive sorte que tudo deu certo e que com 22:35 minutos eu cruzei a tão sonhada linha de chegada!!

Mas porquê correr essas provas tão longas? E a resposta é simples. Porque esses desafios testam nossos limites e nos levam a passar por momentos únicos de superação e vivência. Momentos como esse que vou descrever abaixo

Quando passei por Lundavra com 19:44 minutos eu estava no 142km e assim que encontrei minha equipe de apoio eu pedi para meu marido ser meu pacer pelos últimos 11km porque estava me sentindo fraca. 

 

Naquele momento sabia que seria uma caminhada dura até a linha de chegada. E foi mais do que isso, foi uma experiência de vida. 

 

Naquelas 2:50 enquanto o sol se punha por trás das montanhas eu vi o céu ficar vermelho destacando as árvores lá no alto com seus formatos lineares. Sentia o corpo esfriando rapidamente e me vesti com todas as roupas que estavam na mochila. Eu lutava com toda a força que tinha para continuar andando e foi quando vi uma luz branca perto dos meus pés. Perguntei pro André se ele tinha por acaso ligado minha headlamp que estava na mochila. 

 

Ele disse que não. Verificou e realmente a lanterna estava apagada. Apesar de já ser umas 23:20 ainda havia muita luminosidade (a prova acontece no solstício de verão) e a visibilidade estava excelente. 


E lá estava de novo a luz, iluminando minhas pernas.
- André eu estou vendo uma luz
- Come Rosalia. Toma um gel aqui.. você está delirando!


Foi quando ele viu também a mesma luz. Nós dois ficamos em silêncio. Não tinha nada a dizer. Eu sabia naquele instante que não estava sozinha. Não sei e nunca vou saber explicar esse momento, mas apenas agradeço por ter tido a oportunidade de vivê-lo. 


Cruzei a linha de chegada, dentro de um ginásio, protegido do clima extremo aqui da Escócia. Dos 267 atletas que largaram eu fui a 61 a completar. 6 mulher geral com um tempo de 22:35 minutos. Uma felicidade extrema em ser a primeira Brasileira a correr por aqui e a certeza de que ainda vou correr muitas outras!!



 

 

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